OLHOS
Na semana passada deu-me uma dor no pescoço e no olho direito. Durou pouco tempo, tempo suficiente para a "Ana" ver-me com um olho para cada lado e inclinar a cabeça para a esquerda! Eu fartei-me de rir pois apercebi-me do que tinha feito, mesmo que involuntariamente. Mas...não sei quanto tempo demorei assim, para mim foi uma fracção de segundos mas...não sei e, sobretudo, o que realmente se passou. Aconteceu 2 vezes enquanto estava com ela e senti. Outras vezes anteriores nem notei, apenas o "António" me avisava:"Endireita os olhos!" ou "..não entortes os olhos!".Entretanto tenho reparado em fotografias e tenho a sensação de que estou a ficar com um olhar diferente.
O que está a acontecer e porque acontece?
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Já olhou bem para os olhos de alguém? Olhe para uma pessoa que conhece bem. Sinta o que vê (a pessoa). Depois olhe bem para um olho e observe como ele é constituido: olhe para o formato do olho depois, de lado, olhe como é contituido o olho da pessoa.
Observe bem a camada transparente e depois a "menina do olho", como é constituida, a cor, etc. Como se estivesse a "descasca-lo".
A observar o olho como "objecto" tente pensar na pessoa como a conhece. Sentiu alguma coisa diferente? Se não conseguiu, continue a tentar.
A sensação é de que deixamos de ver essa "pessoa" como haitual. Passou de uma pessoa que conhecemos, para ser um corpo. A "Pessoa" que conhecemos passou a ser outra coisa, um sentimento. Passamos a ter a "pessoa" que conhecemos como um conjunto de sentidos: com cheiro, tacto, sons, com reações, com personalidade propria e objectivos, separando-se do "corpo" que observamos.